sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Eu preciso saber - Tati Bernardi

- Não, eu não estou com criatividade. 

- Os textos da Tati Bernardi são os melhores para as mulheres indecisas, confusas 
e cheias de mimimis, ou seja, é bom pra qualquer mulher. 

- Esse texto em especial não vou colocar inteiro, é muito grande. Só vou colocar algumas partes que tocaram no fundinho da alma, sabe? O resto vcs podem ver no link: http://tatibernardi.com.br

"A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama.
Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspecão noturna. [...]


São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e machucando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque já são sete e meia da manhã, vou resolver isso. Agora preciso dormir só um pouquinho.
Volto pra cama. Coração disparado. Não tem posição na cama. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Aquelas outras coisas que se faz pra acalmar tô com preguiça agora, minha imaginação está indo toda para traçar um plano para que eu descubra. Descubra o quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto. Sim! A cartomante! [...]


Preciso do Lexapro mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente. Você acha que ele está com alguém? Não sei, Tati, eu ainda tô dormindo, posso te ligar mais tarde? Você acha que ele está com alguém? E se estiver, Tati, quer ir ao cinema mais tarde? Você acha que ele está com alguém? Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? Você acha que ele está com alguém? Tati, do jeito que ele gostava de você? Claro que não! [...]

Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Terminamos não terminamos? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim, certo? Eu não tava bem com ele e nem ele comigo, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta. Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, lambendo a virilhazinha de alguma desgraçada? Qual o problema? Ok, eu posso morrer. Eu definitivamente posso morrer. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.
Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro. Considerando que ele não mora em São Paulo, não sei exatamente o que eu pretendo com isso. Mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás da verdade. Na verdade vou só na casa de outro, preciso fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. O outro não conhece Black Swan, não ri da história da Zuleide, não me aperta o braço. [...]


Volto pra casa, destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso explodir e bolhas de corações vermelhas atingiriam o Japão. Quase não consigo respirar. Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende falando baixinho. Você está com alguém? Estou. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitacões, descargas de adrenalina, músicas, textos, amigos, danças, gritos, sensações, assuntos, choros, dores, vida. Agora eu já sei. O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber. "


É fofo, lindo, triste e engraçado. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tudo errado - Tati Bernardi

"A primeira parte da primeira vez que fomos jantar foi um completo fracasso. Eu escolhi o restaurante, eu peguei ele em casa, eu paguei a maior parte da conta porque "você que inventou de pedir o vinho" e ele estava muito mal vestido e não tinha tomado banho depois de um dia inteiro de trabalho. Erro, erro, erro. Assim que paguei sozinha o manobrista e me vi andando na chuva até ele, que aguardava o carro tranquilamente embaixo de um toldo, tive a certeza: esse não serve nem pra amigo que você cumprimenta quando cruza na rua uma vez a cada quinze anos.
Mas eu estava uns bons meses sem transar, sem o menor saco de conhecer gente nova, sem a menor cara de pau para ligar para ex namorados e ele havia sido recomendado por amigas limpinhas "vai que é bom" e, por total falta de opção numa terça fria, deixei ele subir no meu apartamento. Na manhã seguinte, já éramos melhores amigos. Cantamos todas as músicas do Radiohead tão alto que a vizinha de baixo bateu com o cabo da vassoura no teto. Fizemos campeonato de quem imitava melhor a dança epilética do Ian Curtis, falamos mal das meninas que usavam saltos muito altos nos domingos ensolarados, pulamos de alegria quando descobrimos que estávamos lendo o mesmo livro do Philiph Roth e ele instalou todos os aparatos eletroeletrônicos que, assim como eu, aguardavam um homem inteligente dentro de uma caixinha semi aberta. Ele foi embora se despedindo de mim com um beijo amigo e pela primeira vez na vida achei essa ideia ótima "ele está indo embora sem promessas de amor eterno e eu não estou sofrendo nem um pouco com isso". Sem mensagenzinhas de carinho ou e-mails fofos, seis dias depois nos encontramos de novo para mais uma maratona de sexo sem amor, e assim ficamos por uma vida. Com intervalos para quando ele arrumava uma namorada ou eu achava que arrumava um namorado. Era leve, divertido, gostoso e uma experiência incrível para a minha pessoa ciumenta: eu ajudava ele a paquerar em baladas e me divertia quando ele ligava na manhã seguinte "a mala da mina apaixonou, e agora?" E agora vamos no cinema mais tarde. E pronto. Esse ano ainda não havíamos nos encontrado. Ele porque arrumou uma mulher bem ao seu estilo (que escolhe restaurante que aceita Visa Vale, usa chinelas crocs com meias de lã coloridas e super se preocupa mesmo com aquelas passeatas dentro do prédio de sociais da USP) e eu porque estava tão apaixonada por outra pessoa que preferia deitar na cama sozinha, só com a voz dele do outro lado da linha, a milhões de quilômetros de mim. Ontem nos encontramos numa festa de um amigo em comum. Ele estressado, com a menina ciumenta ligando no seu celular de meia em meia hora; e eu pelos cantos, suspirando por mais um amor perdido pelo excesso. Ficamos abraçados por horas. Meu coração não disparou e nem o dele. E só por isso o abraço durou tanto.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

"Sede de vida, tantos sonhos estranhos..."

Minha vida parece uma caixinha de surpresas, quando menos espero estou me contradizendo. Eu queria começar esse texto xingando, mas não consigo. Queria culpar alguém, mas sei que isso não é o certo.  Queria dizer que me arrependo, mas eu não me arrependo.  Queria dizer que se eu tivesse pensado melhor não teria feito nada, e tudo ficaria bem, se eu falar isso, estarei mentindo. É incrível como que... em uma semana tudo muda. O seu sonho vira seu pesadelo.  O seu pesadelo vira sua realidade. Mas, qual é realidade? Ela ainda parece ser só mais um pesadelo que eu não quero acreditar. A gente idealiza demais as pessoas, sonha, cria, fica idiota. A gente se sente mais idiota ainda quando se entrega a uma coisa que desde o começo você sabia que estava se entregando sozinha, idealizando sozinha, sentindo sozinha. Se eu sabia de tudo isso pq fiz essa merda? Eu também não sei, eu só fiz. Talvez tenha feito por saber que não iria continuar e que aquela era a única oportunidade que eu tinha de viver um sonho de um dia, quer dizer, algumas horas. Sabe, machuca. Foi tanto tempo idealizando, imaginando como seria, pra acabar tudo assim, tudo tão... sem nada. Eu queria dizer que sofrer por quem não vale a pena é péssimo. Mas, ele vale a pena. Só não vale pra mim. E depois as pessoas ainda perguntam pq eu não demonstro os meus sentimentos, é que sempre acaba assim. Só eu e eles. Sinceramente... esse final já esta se tornando repetitivo demais e cansativo. Quero um novo final. Mas, antes de um novo final, eu quero um novo começo. Eu quero alguém que pergunte se eu estou bem pq realmente quer saber, e não por educação. Alguém que me trate bem, pergunte do meu dia e que de algum modo me entenda. Talvez eu nem saiba o que, quem e como eu realmente queira, mas de uma coisa sei: Não quero me sentir triste ao falar com esse alguém, eu quero sorrir e sentir que estou leve. Quando eu sentir isso,  certamente saberei que foi ali o meu recomeço.

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Música (:

Aah, eu esperei tanto tempo
Mas, eu juro que não aguento.

Ah, eu por um lado te entendo,
Mas eu continuo querendo.

Sei que não é mais fácil assim
E se tanto faz ter um fim
Se o tempo faz esquecer
Não tem como te dizer
Se nada acontecer

Aah, os seus defeitos eu invento
Pra fingir que eu não me arrependo

De ter que ver você partir assim,
Sem antes ver você sorrir pra mim
Eu te juro, que um dia ainda vou me arrepender.

[...]
Sei que não é mais fácil assim
E se tanto faz ter um fim

Se o tempo faz esquecer
Não tem como te dizer
Se nada acontecer.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

“Eu não conheço amores inabaláveis.”


Acho que definitivamente eu não nasci para amar alguém por muito tempo, ou pelo menos estabelecer algo sério. Sempre que consigo isso, eu começo a fugir. Eu me assusto, eu não gosto de cobranças, eu não gosto de pensar nas coisas que tecnicamente terei de abrir mão. Não consigo me ver ao lado de alguém 24hrs por dia, talvez eu até consiga me ver, o problema está em conseguir. Odeio ciúmes, não consigo demonstrar ciúmes, eu sinto, depende muito da situação ou pessoa. Odeio ter a obrigação de sair para ver pessoas, seja ela quem for. Odeio telefone também, e quando as pessoas têm algo com alguém a primeira coisa a te irritar é o telefone. Ele simplesmente não para de tocar, e quando ele não toca por um longo período ele vai tocar quando você não vai estar afim de conversar, quando estiver dormindo, ou em qualquer outra situação que não deve ser interrompida! Quando vejo que estou me aproximando muito de alguém, começo a ser fria, tenho medo de me arrepender, como eu sempre me arrependi. Talvez isso seja errado, pq na maioria das vezes eu não quero fazer isso, acabo me magoando, e magoando a outra pessoa também, mas no final passa... pelo menos eu me sinto aliviada de não ter criado vínculos. Na maioria das vezes utilizo uma pessoa como válvula de escape, me aproximo de uma, esqueço a outra e assim vai. Não queria viver colecionando paixões, mas ao mesmo tempo é bom. Quero viver um amor, mas ao mesmo tempo é ruim.  Que fique claro, não faço apologia a nenhuma cretinagem. Só faço apologia a liberdade.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Hey You. ♪

Então vem, e fica comigo.
Me abraça, deixa eu sentir o seu perfume, sentir o seu
toque, fazer carinho, te chamar de meu, me deixar ser sua...
Mesmo que isso dure um dia, algumas horas, mesmo que isso não
seja importante pra você, vai ser importante pra mim. Alimenta
o meu ego. Quero sentir o sabor do afeto, deixar de lado a solidão,
o egoismo, assumir meus defeitos, ser unica, ser livre e ao mesmo tempo
estar presa a alguém...te olhar bem no fundo dos olhos e dizer como eu
adoro fazer isso, rir dos seus gostos estranhos e do modo como vc se acha
unico, desfrutar da sua inteligencia, achar graça da sua covardia em assumir
que sente algo, e até mesmo aceitar ela. E eu sei que ao ler vc vai pensar
que isso é pra vc, mas quer realmente saber? Um dia foi.


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Papo De Terapia

Descobri o amor. (ou não)

É, eu descobri, mas ainda é algo que eu tenho medo, eu deveria ser menos insegura. Mas, não é insegurança em relação a outra pessoa, o problema é comigo mesma. Talvez eu tenha as mesmas confusões mentais que a maioria das meninas. Você pode achar que tudo que eu escrevo é babaquice, olha... até pode ser pra você, mas foda-se  Eu ainda sonho com um casamento ao ar livre, com baquinhos brancos, instrumental ao fundo, pétalas espalhadas no campo, um vestido de casamento branco estilo hippie, com um arco e crianças correndo, a aliança seria uma jura de amor eterno, uma troca de olhar, uma questão de confiança e só, não acho que algo redondo no dedo vai demonstrar o sentimento ou propriedade.  Nunca contei isso com ninguém, e ainda estou pensando se publico isso no meu blog, é uma coisa tão intima, tão minha, que eu chego a ter ciúmes.  É, isso parece loucura, eu sei! Mas, pense comigo, você não teria ciúmes se alguém vivesse seu maior sonho e você não? Não sei se ciúmes é a palavra certa, mas sentiria um aperto de ver alguém capturando meu lindo sonho e vivendo ele. Espero não ser a única que pensa assim. O problema do amor é que quando você se vê 100% feliz, você se vê 100% triste, é a mesma sensação de “mamãe roubaram meu doce, e agora?”.  Estar ao lado de quem você ama, é mágico, mas a hora de dar tchau é a pior hora, para qualquer casal apaixonado, e quando eu falo disso, estou me referindo aos apaixonados de verdade, aqueles que vivem o momento, que são melosos, e até mesmo ridículos, mas acredite meu caro... toda essa ridicularidade é linda de se viver, você só acha ridículo pq simplesmente você esta fora desse ciclo.